Kirk Franklin: “Bíblia não é homofóbica. As pessoas é que não a entendem”

Publicado por em 18 de junho de 2019

O cantor Kirk Franklin concedeu uma entrevista e afirmou que a Bíblia é inspirada por Deus e que seus ensinamentos não são homofóbicos, mas sim uma mensagem sobre como abandonar o pecado e reconhecer o sacrifício de Jesus para expiação dos pecados.

A entrevista ao programa de rádio The Breakfast Club abordou questões ligadas aos temas mais caros ao movimento progressista: homossexualidade e aborto. O famoso cantor gospel não fugiu do debate e sustentou posições firmes em defesa do Evangelho.

“Toda a Escritura é inspirada por Deus […] mas o que temos que entender também é que o cânone das Escrituras ainda está vindo de um lugar de um Deus amoroso”, disse Kirk Franklin no programa. “Deus não é construído para odiar pessoas gays. A Bíblia não é um manual sobre como odiar os gays”, enfatizou.

“E assim, se continuarmos a isolar essas coisas individuais e fizermos com que a premissa do que Deus é e quem é Deus, estamos perdendo o [ponto de] que há espaço na cruz para todos nós”, pontuou, antes de destacar que a Bíblia enfatiza “quão grande é o amor e a graça de Deus”.

“Deus é um Deus da verdade, acredito que o amor de Deus é a verdade. Não há verdade sem amor e o amor não pode existir sem a verdade”, disse o cantor, em resposta ao apresentador Lenard Larry McKelvey – conhecido pelo nome artístico Charlamagne tha God – que disse não ver amor na Bíblia, mas sim “material homofóbico”, assim como antissemitismo.

Em sua resposta, Kirk Franklin foi bastante objetivo, de acordo com informações do portal The Christian Post: “Não há coisas homofóbicas na Bíblia. O que há é que existem homens e mulheres que não foram necessariamente treinados para poderem dissertarem sobre as Escrituras, para poder compreenderem a totalidade do texto. Porque se você vai chamar uma coisa de pecado na Bíblia, você não pode apagar esse texto e perceber que orgulho, ciúmes e inveja [também são pecados]”.

Quando a outra apresentadora, Angela Yee, expressou sua oposição ao que alguns chamam de terapia de “conversão” – ou seja, os esforços para mudar a orientação sexual de uma pessoa de homossexual para heterossexual -, Franklin compartilhava um sentimento similar.

“Acho muito embaraçoso pensar que temos de fazer as pessoas exatamente da maneira que achamos que precisam ser, para poder viver com elas”, disse Franklin quando questionado sobre o que alguns chamam de “cura gay”.

“É tudo sobre sair da vida com homens e mulheres e ver todos criados à imagem de Deus e basicamente nenhum grupo de pessoas será monolítico; todo mundo tem visões diferentes mesmo dentro de comunidades diferentes. Mas é tudo sobre aprender a concordar em discordar e ainda deixar o amor levar a narrativa”, comentou o cantor.

Os apresentadores do programa aproveitaram a oportunidade para também abordarem sobre outro tópico controverso – o aborto. A essa altura, Kirk Franklin revelou que ele quase foi abortado por sua mãe, mas terminou sendo adotado por uma “senhora de 64 anos” aos quatro anos de idade.

“Lembro-me de minha mãe biológica dizendo à minha mãe adotiva: ‘Eu não o queria, queria um aborto e você não me deixaria’. Então eu vivi com essa questão do abandono, então sim, eu sou uma pessoa pró-vida. Mas, ao mesmo tempo, seria hipócrita não dizer também que, quando eu era adolescente, paguei por um aborto”, confessou o cantor.

“Seria hipócrita da minha parte não dizer também que também contribuí para a conversa ou para as questões, para a mesma coisa que me magoou”, lamentou, acrescentando que pediu desculpas à jovem que fez o aborto com seu incentivo. “Meu ponto é que eu sou pró-vida, mas eu ainda acredito que não tenho o direito de forçar uma mulher a fazer qualquer coisa com seu corpo, da mesma forma que eu não posso forçar alguém a vir a Jesus Cristo”.

“Não há como eu não poder forçar ninguém a acreditar no meu Salvador. Então, espero poder tentar viver uma vida e tentar ensinar minhas filhas, tentar retratar o que uma família amorosa e uma criança amorosa podem ser. Ao mesmo tempo, tem que ser uma escolha. Não há como eu forçar alguém a receber qualquer coisa”.

A entrevista do cantor ocorreu no momento em que ele está divulgando seu 13º álbum de estúdio, “Long Live Love”. Sobre o disco, o artista cristão explicou o conceito que abraçou e expôs no título: “É muito óbvio onde estamos, apenas o clima de cultura, apenas a polarização. E até meus irmãos cristãos até mesmo do outro lado do corredor e sua falta de empatia por pessoas negras e morenas e não ser capaz de entender que o Criador do amor está nos desafiando a sermos capazes de aprender a amar pessoas que nem sempre são as mais amáveis, porque às vezes nem sempre somos as mais amáveis, mas mesmo assim Deus é loucamente apaixonado por nós”.

Nos próximos dias, Kirk Franklin sairá em uma nova turnê por 26 cidades dos Estados Unidos, iniciando em 11 de julho. Essa jornada será conciliada pelo cantor com a função de apresentador da 9ª temporada do programa de competições de música de sucesso, Sunday Best, que retorna ao canal BET em 30 de junho.


Opiniões dos ouvintes

Deixe seu comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado.Campos obrigatórios são marcados com *



Rádio

Web Gospel

Current track

Title

Artist