Kleber Lucas se diz vítima de boicote no meio evangélico após ter cantado ‘Maria, Maria’.

Publicado por em 31 de julho de 2018

O cantor e pastor Kleber Lucas concedeu uma entrevista afirmando que suas iniciativas de aproximação de religiões afro-brasileiras resultaram numa espécie de boicote das denominações e emissoras de rádio evangélicas.

Em 2017, Kleber Lucas adotou uma postura agressiva contra parte do segmento evangélico afirmando que a teologia pregada nas igrejas é “racista”, chegando a afirmar que os cristãos dessa tradição doutrinária nutrem “ódio”. Agora, assim como aconteceu com Thalles Roberto – que expressou desprezo em relação aos colegas de ministério -, o cantor amarga o ostracismo.

“Fizeram um café da manhã em um centro candomblecista em Caxias que havia sido incendiado, vítima de intolerância religiosa. Uma igreja cristã decide levantar uma doação de R$ 12 mil e pergunta: ‘Você tá dentro?’. Falei: ‘Claro que estou’. Porque isso está em harmonia com a mensagem do Cristo. Uma mensagem de amor”, disse Kleber Lucas, resumindo o episódio na entrevista à revista Veja.

“Essa mensagem de ódio não tem nada a ver com Jesus de Nazaré. Fomos lá fazer uma entrega [de doação], foi um momento lindo, uma manhã agradabilíssima, com gente das mais variadas confessionalidades. Você olhando para seres humanos que estavam na mesma causa, a causa solidária. Olha que coisa linda”, argumentou o cantor.

O cantor afirmou que seu ocaso diante da opinião pública no meio evangélico surgiu de um momento de espontaneidade durante o encontro inter-religioso no centro candomblecista.

“No meio daquela programação, eles perguntaram: ‘Você pode cantar uma música?’. Que música que se canta num ambiente plural? Uma música do Kleber Lucas? Não faz sentido. Cantei Maria, Maria, alguém filmou e publicou. Aí o Kleber Lucas de 25 anos de caminhada cristã no Brasil deixa de ser um líder, um pastor, um cantor de relevância na boca de muita gente e passa a ser ‘preto safado’, ‘crente safado’, ‘pastor safado’, ‘amigo de comunista que merece morrer’”, acrescentou, descrevendo as agressões que alega ter sofrido.

“Eu não tenho medo de gente que levanta a bandeira do ódio. Não tenho medo delas, elas não me intimidam. Na verdade, o que elas gostariam é de me silenciar. Existem muitos cristãos, muitos líderes, muitos cantores, muitos líderes de igrejas, diáconos, gente da liderança, da base, cristãos confessos que acreditam nessa linguagem de tolerância, de amor, respeito. Você não precisa acreditar igual para conviver”, afirmou Kleber Lucas.

Na sequência, o cantor fez novas acusações ao meio evangélico: “Essas pessoas estão aprisionadas a imposições, a uma linguagem que as amendronta. Eu não vou me calar, e eu desafio essas pessoas a serem uma voz que não vai ser silenciada por causa de ameaças e ódios explícitos das redes [sociais]”.

“Para muita gente no Brasil eu deixei de ser pastor. Aliás, para muita gente eu nunca fui. Mas quando eu me volto para minha casa, para os meus filhos, e tenho o respeito deles… quando eu me volto para minha comunidade, que tem a forma mais plural de social, de convivência, casais de 30 anos de casados, casais recém-casados, recasados, gente que chegou separado e voltou na comunidade, eu vejo olhares para mim dizendo ‘você é o nosso pastor’. Isso consegue me dar força, isso tem me sustentado”, contou, antes de cantar novamente um trecho de Maria, Maria.

Informações: Gospel+/revsitaVeja

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